«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
quinta-feira, Setembro 25, 2008,11:36 da manhã
Livro da Semana

Sendo certo que sempre há um certo fascínio ler as impressões de um estrangeiro sobre o nosso país, quando estas são feitas com imensa mestria, o fascínio só pode ser maior.

Aliando uma interpretação bastante perspicaz da alma portuguesa a um "policial" a revelar algumas influências de Carlos Ruiz Zaffon e o seu famoso Sombra do Vento, Pascal Mercier revela-nos no seu terceiro romance (primeiro a ser publicado em Portugal), uma invulgar capacidade narrativa, capaz de surpreender os seus leitores.

Contudo, há uma certa desilusão em relação ao avanço da estória, capaz de nos fazer perder o interesse e o tal fascínio inicial.
Apenas como exemplo, a ida à Galiza, já muito perto do final da narrativa cheira a "encher chouriços" (expressão esta pela qual sempre nutri um enorme carinho, tal é a minha devoção em relação a essa tão estimada arte).
Mas é um bom livro e acho que aconselho (embora não de forma muito viva ou entusiasta) a sua leitura.
7/10

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quarta-feira, Setembro 03, 2008,2:06 da tarde
 
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domingo, Junho 10, 2007,1:14 da manhã
Só por acaso
Leio agora numa crónica do Carlos Quevedo, já que sempre roguei ao desprezo a revista K:
"Ser ecologista pode não significar coisa alguma"
E não é que o rpaazito tem razão?

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quinta-feira, Junho 07, 2007,9:11 da tarde
Merdeka
Quando achamos que as festas nacionais são desintegrantes ou más ou enfim... recomendo as fenomenais celebrações da Merdeka na Malásia.
Mais informações aqui
 
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quarta-feira, Maio 02, 2007,4:33 da tarde
 
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segunda-feira, Março 05, 2007,11:20 da manhã
Final
Caros leitores e amigos:
o meu blog mudou mesmo de endereço graças a problemas relacionados com esta estória toda da transição para beta e não beta e não sei que mais.
Por isso, visitem-me (caso assim o desejem) aqui.
 
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terça-feira, Janeiro 16, 2007,12:00 da tarde
Mais aborto? Sim, se faz favor

Com tanta coisa inteligente que poderia ser usada para se debater o aborto, a esquerda volta a utilizar a ridicularização da religião para demonstrar a sua pretensa superioridade lógica e racional que nos conduzirá a um estado perfeito e harmonioso.
Para os ajudar nesta cruzada de palavras fáceis que conquistam o público jovem suburbano, de formação tendencialmente universitária (deficitária), aqui deixo uma citação de Pinter para o que der e houver:


"Nem tu sabes o que lhe acontece se lhe tocas. Aparece aqui Jesus Cristo, se lhe tocas. Não sabias disso? Tu tens medo de Jesus Cristo, não tens? Ele mete-te medo. (...) Não, a sério, ele dá-te calafrios, não dá?"
in Anões de Harold Pinter pp.96 Dom Quixote
 
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,11:15 da manhã
Pamuk + Nobel + Discurso + Gostei
E com isto tudo, ainda tenho coragem para enfrentar de caras o discurso do Pamuk aquando da entrega do Nobel. E deixem-me que vos diga que gostei.
E se calhar até sou capaz de o reler.
Agora não.
Mais tarde.
Agora vou tentar acabar o único (primeiro e último) romance do Nobel do ano anterior.
Mas enfim, só para aguçar o gosto...

"Two years before his death, my father gave me a small suitcase filled with his writings, manuscripts and notebooks. Assuming his usual joking, mocking air, he told me he wanted me to read them after he was gone, by which he meant after he died."
 
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,10:23 da manhã
Notas para uma definição de matança III
As fotos que se seguem são da segunda porca, que têm um impacto visual muito maior do que a primeira graças ao espirrar do sangue, digno de um filme do Spielberg ou do Tarantino.
Ai se eles soubessem disto...
 
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,9:42 da manhã
Notas para uma definição de matança II
O ambiente agita-se com os primeiros gritos da porca.
O grupo divide-se entre os que querem assistir à morte e os que não querem, que fogem para o interior da casa. Curioso mesmo, é ver as reacções das crianças, que vão da idolatria ao repúdio completo. Ao meu lado tenho um miúdo dos seus sete anos que olha embevecido para o pai que segura na porca.
Eu confirmo os meus atributos de menino da cidade e escondo-me atrás da objectiva.

Os segundos parecem demorar bastante mais a passar. A agonia do animal rasga por completo o silêncio pacífico da madrugada alentejana.

Nas caras dos participantes, há um gozo indescrítivel, verdadeiras provas de masculinidade, das quais as mulheres são completamente excluídas.

A primeira porca já está.

Enquanto se vão começando os preparativos de uma, avança-se já para a próxima.

O sangue é mexido para não coagular

E logo se começa a queimar a pele com vista à abertura do animal

A adrenalina faz com que a violência de toda esta vivência seja colocada num qualquer patamar estranho.

Acho que só agora, no momento em que revejo as fotos é que começo a conseguir sentir o que quer que seja e a tirar as minhas conclusões sobre cinco minutos de pura adrenalina.

 
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