«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
segunda-feira, dezembro 27, 2004,2:19 da tarde
Padre Aguiar
Que raio de título?- perguntarão vocês.
Pois é. É estranho.
Este será, provavelmente, um dos posts mais pessoais que porei neste blog do qual o Relógio se tem alheado de uma forma assombrosa.
Mas retomemos o título.
O Padre Aguiar foi o fundador do Colégio Pio XII no longíquo ano da graça de 1957.
Nessa altura Salazar ainda era um dirigente temido e a guerra colonial ainda era apenas uma miragem.
O Eusébio ainda era um nome desconhecido no mundo do futebol e afins.
A ideia da criação do Colégio veio, como quase tudo o que agora conhecemos da Igreja Catóilica, do Vaticano II. (Surprise!!!)
Ao receber o já costumeiro jornal Communitas, o que significa que fui aceite como membro do núcleo de ex-alunos do Colégio, deparei-me com a notícia da sua morte.
É estranho.
Parece que de repente me imaginei no meu primeiro ano de faculdade, a jantar uma qualquer mistela naquelas mesas exíguas, e ele chegar por trás de nós com um arranhar seco de catarro e pedir-nos que acabássemos rapidamente a refeição pois as senhoras do refeitório queriam regressar ao conforto dos seus lares. No meio disto tudo, conseguia ainda introduzir o elemento sempre comum da fundação do colégio e da decadência em que ele agora se encontrava.
E realmente encontra.
O padre Oliveira, director, e o padre Trigo (que frequentemente viu o seu nome associado à palavra "rabeta" nos tabuleiros do jantar) têm agora caminho aberto ao total desenvolvimento dos seus planos. Lembro-me de numa assembleia geral (processo digno de uma democracia de fantoche) o padre Oliveira se ter irritado solenemente perante a homenagem de uns alunos ao Padre Aguiar, respondendo que o papel desse senhor na vida colegial era quase nulo e que agora se tinha que olhar para o futuro, rompendo com esses dogmas que tentavam a todo o custo afundar o colégio.
Mais que lamentar a morte de um grande homem, sinto-me na obrigação moral de dar os parabéns aos dirigentes do Colégio que agora têm a vida muito mais facilitada, podendo tiranizar à vontade.
Um grande bem haja para eles.
 
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,2:01 da tarde
À terceira é de vez?
Será?
Na Ucrânia lá se realizaram as terceiras eleições. Iuchenko sagrou-se vencedor.
Foi uma prova de democracia, num país que ainda vive atormentado pelo terror soviético.
Este imbróglio governativo foi apenas uma prova de que a Ucrânia está preparada para figurar no quadro dos mais avançados países europeus, logo ao lado de Portugal, de quem suspeito tenham tirado o modelo.
Estando o laranja Iuchenko no governo, já se pode finalmente oficializar a vinda do Iakunovitch para Portugal, cumprindo-se assim (finalmente!) um dos sonhos de Abril: a criação de um estado próximo do regime soviético na ponta da Europa, contrariando toda a lógica possível.
Por falar em lógica, o grande adversário a este projecto dignificante, será mesmo esse tal de Sócrates que anda a anunciar essa tal esquerda moderna, um new labour em Portugal que oferecerá às camadas portuguesas mais conservadoras uma única opção:
Votar PS.
A fim de meditar sobre estes assuntos, terá amanhã início o Encontro Internacional de Taizé em Lisboa (www.taize.fr), onde se espera transmitir um pouco de serenidade.
Na minha humilde posição de participante, dirijo em primeira mão neste blog, um convite pessoal ao Dr. Jorge Sampaio.
O país precisa.
 
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sábado, dezembro 25, 2004,5:58 da tarde
Dia de Natal
Como hoje é dia de Natal, penso que será uma óptima altura para ser honesto (provavelmente a primeira neste blog) e afirmar perentoriamente que o Relógio tem razão.
Numa discussão que resultou no definir das nossas posturas perante a literatura, ou o que nela procuramos, ficou claro que eu tento perceber o mundo que me rodeia e que o Irnerio se tenta alienar.
É claro que é chegada a altura em que se devem fazer as já costumeiras ressalvas de que a nossa discussão não se limitou a perspectivas egóticas sobre as nossas posturas e que isso é fruto única e exclusivamente da minha cabeça desocupada e fútil.
Mas continuando, o Pedro Fernandes tinha razão.
Hoje, dia de Natal por excelência, atingi um elevado estado de alienação. E gostei.
No meio de um almoço de estranhos (onde ainda agora me pergunto como fui lá parar) que falavam desmesuradamente alto, uma televisão onde cantores e apresentadores de noticiários de uma não respeitável estação de televisão nacional conviviam alegremente, lá fui lendo a entrevista que vinha de oferta com História Suja do Sepúlveda.
Nisto tudo há a destacar as fotografias de quando esteve em Portugal em 2000 por entre a narração de uma doença venérea da vizinha do lado e os aplausos eufóricos pelas "medalhas" de vinho na camisola do dono da casa.
Assim é Natal.
Não o meu, mas assim é Natal.
 
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sexta-feira, dezembro 24, 2004,12:00 da tarde
É a confirmação
Não resisti e tive que cá vir pôr um post, algumas horas antes do tradiucional jantar de bacalhau, seguido da abertura de presentes e afins...
Uma vez que tenho um montão de coisas inúteis para vos dizer, deixo-vos apenas com um sonoro e belicoso Feliz Natal ou Yule ou o que for para todos vós, corajosos peregrinos que não hesitam em ler o que aqui vai sendo posto.
Um grande bem haja e um sorte e Neno natalício.
 
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terça-feira, dezembro 21, 2004,1:17 da manhã
Lembrei-me
Por acaso até foi.
Estava para aqui a ler os meus blogs de referência, quando me lembrei que não sei se voltarei ao blog antes do Natal.
OU se voltarei.
Quando olho para o meu futuro, cheio de actividades que ainda não sei bem quais são (pois toda a gente continua a ter essa depressiva mania de planear tudo com mais de dois dias de avanço), não antevejo um contacto com o meu computador, ou com um computador.
Esta é a melhor prenda de Natal que vos ofereço: Privo-vos da minha escrita embaraçosa e repleta de factores irrelevantes e tremendas gaffes estéticas.
Não poderia imaginar prenda melhor.
Por vezes também me questiono Quando?, quando é que me livro desta minha escrita?
Infelizmente, não sei responder.
Bem, Bom Natal em Neno Só porque Sim
 
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segunda-feira, dezembro 20, 2004,5:20 da tarde
Quase natal...
Ontem não escrevi.
Pois não.
Se calhar não tinha nada de interessante para escrever. Para dizer a verdade, acho que nunca tenho. Ou se calhar até tenho e por isso escrevo e por isso lêem.
Enfim.
É quase natal, ou Natal, como preferirem.
Sentimentalismos à parte, esta é a quadra em que o Papa apela ao não-consumismo, onde os nossos políticos aparecem em jantares de solidariedade e os jogadores de futebol se mascaram de pais natais e prometem vitórias como prendas para os adeptos.
Poderia ser pior?
Podia.
Podíamos não ter governo, ou ter o Herman a apresentar circo ou até mesmo eleições marcadas para o final da semana do Carnaval...
Como fico satisfeito em termos jogadores de futebol vestidos de pai natal ou jantares de solidariedade.
Como tudo podia ser pior...
 
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sábado, dezembro 18, 2004,5:49 da tarde
Estou cansado
É verdade.
Estou cansado.
Faço um curto intervalo na preparação da prenda da Raquel, que me está a dar um gozo enorme, mas que me está igualmente a desgastar emocionalmente. E agora escrevo aqui a fim de responder à enorme pressão que sempre recai sobre mim para escrever qualquer coisa. Pois se é isso que querem ou esperam de mim, pois aqui vai:
Qualquer coisa.
ou
qualquer coisa
ou
qualquer Coisa
ou ainda
quAlqUer cOiSa...?
Para quem quiser saber, ou esteja interessado, ou Só porque Sim, a minha leitura do Durrell vai correndo bem, se bem que condicionada por este projecto que me propus terminar antes do Natal.
Um bom resto de dia para todos vós, os que ainda vierem a ler este post hoje.
 
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sexta-feira, dezembro 17, 2004,2:15 da tarde
Gooooolooo!!!!!!
Ando há uma semana com o mesmo início na cabeça e não o consigo desenvolver: Dia de Natal. As luzes que habitam as ruas vazias ecoam nos seus passos...
E não me consigo libertar disto. Curioosamente, tudo isto me invade sempre que passo à noite em frete à farmácia Sá da Bandeira, que, obviamente não conhecem. Eu também não conhecia.
Se não conseguir construir mais pensamentos do que os acima expressos ao passar em frente da farmácia num futuro próximo, fica já aqui anunciado que partirei a janela num autÊntico acto de vandalismo.
Felizmente, terei psicólogos a afirmarem que me encontrarei condicionado por causa do sistema social em que encontro envolvido.
Abençoado sejamos todos os que vivemos num mundo da treta.
Já agora, porque não damos as mãos e gritamos todos: Goooooloooo!!!!!
 
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quinta-feira, dezembro 16, 2004,5:36 da tarde
Vale e Azevedo
Hoje dei por encerrada a tenebrosa época de compras natalícias. Depois de ter divagado por entre a zona dos livros e o supermercado do Corte Inglès ou Inglês, como queiram, decidi pôr um ponto final com uma fugidia passagem pela Worten.
E, perguntam agora, não foste à FNAC?
Não, não fui. 2 razões: Esqueci-me de renovar o cartão pois estava a estudar semântica. (Ahhhhh, eu, eu, eu, eu voltei a falar de semântica!!! Será que vou ser crucificado, com bolachas Oreo espetadas nas mãos? Espera-me um destino cruel...) A segunda foi mesmo porque os Lisboetas e rivais suburbanos apoderaram-se da FNAC como os Super Dragões do tribunal de Gondomar.
Agora, só falta mesmo acabar o mais trabalhoso de todos os presentes que me proponho oferecer. Excusado será dizer para quem será.
Com isto tudo está frio. Vou beber mais chá. Não estou a aguentar esta situação. Tem que ser.
Um grande bem haja e tudo a que têm direito.
 
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quarta-feira, dezembro 15, 2004,11:16 da tarde
Eh pá!
Este título, ao contrário dos mais recentes, que têm dado aso às mais profundas divagações filosóficas, é uma verdadeira lufada de ar fresco na minha escrita, devido à sua tremenda dubiadade.
Mas retomando o fio condutor da conversa, hoje arrisquei uma vez mais a minha vida ao caminhar impune pelo Martim Moniz depois de não ter deixado escapar a famosa hora da loura da Almirante >Reis.
Se bem que o sinal gráfico acima representado tenha surgido por mero acaso, não consigo deixar de tecer um belo elogio à sua beleza gráfica quando coadunado com a palavra Reis.
Não consigo, igualmente, esconder que há uma certa perversão em tudo isto.
Descubram porquê.
 
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terça-feira, dezembro 14, 2004,4:41 da tarde
O regresso do Futre
Depois de me ter debatido internamente com a questão dos títulos, não conseguindo atingir nenhuma verdade suprema ou reveladora, volto às reflexões.
Talvez esteja a revelar a crua influência da mais recente explicação que dei sobre a Aparição do Vergílio. Pelo menos, hoje consegui sentir que consegui revelar uma pequena parte da verdade universal ao insistir veementemente que um resumo se escreve na terceira pessoa do singular e não na primeira. O facto de a obra se encontrar escrita na primeira pessoa nada tem a ver com a produção de um resumo.
Mas enfim...
Depois de uma esclarecedora discussão com o Irnerio, resolvi dar início a uma nova filosofia, capaz de reger a minha produção neste blog, baseando-se na máxima: Só porque Sim.
A importância daqueles dois S maiusculados faz-nos remeter imediatamente para as SS, sendo que surgiu involuntariamente enquanto escrevia.
E tudo Só porque Sim.
Depois do sucesso do existencialismo por entre os mais esclarecidos maníaco-depressivos da sociedade nacional, adopto uma filosofia de cariz niilista com claras influências freudianas, não renegando nunca a primordial influência do guarda-redes cantor Neno.

 
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,1:11 da tarde
Pois é...
E com isto tudo esqueci-me de celebrar os 200 visitantes do blog.
Bem sei que parece ingrato, mas mais vale tarde do que nunca.
Aqui fica o meu muito obrigado e outras que tais formalidades para todos os que têm acompanhado este blog.
Bem, acho que agora só irei celebrar quando chegar aos 500 visitantes, i. e., se chegar.
Um grande bem haja
 
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,1:01 da tarde
Regresso triunfal (ou nem por isso... ou nada disso)
Aqui estou eu. De volta a este espaço mais que insignificante, onde o magnuspetrus se sente famoso e eu me sinto abaixo de cão. É verdade: isto não é para mim. E é por isso que tenho andado desaparecido. E é por isso que venho dizer que este blog não me merece nem um bocadinho. -Estará ele a brincar?, pensas tu. Não! é a resposta que te dou. A verdade é que este blog é completamente dominado pelo acéfalo santareno (a quem quero dar os parabéns pelo 14 a semântica e consequente terminus do curso) que nada diz que se aproveite. E um gajo até tem vergonha.
Digo-vos então o que vou fazer para ultrapassar esta minha incapacidade de escrever neste catre de letras vagabundas: vou tentar escrever como o magnuspetrus. E digo mais: vou tratar de procurar um blog qualquer onde comentar(tipo anacleto) para eu próprio ser gozado online, de forma a tornar-me também eu risível e trazer mais pessoas a este blog. (vejam o post "Não é possível, ou sim..." nos primórdios deste mesmo blog). E assim, indignado, me despeço.
 
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segunda-feira, dezembro 13, 2004,5:39 da tarde
O ataque
Acabei agora mesmo de ter uma pequena indecisão sobre o pôr o título com maiúscula ou não. Decidi por assim o fazer, não seguindo qualquer regra lógica ou gramatical.
Bem sei que não terá sido correcto da minha parte, mas eu sou assim - esta frase só ganhará total sentido após a leitura do restante post. Esta é, sem dúvida, a mais recente tentativa de que leiam os posts até ao final.
Mas enfim.
O que queria comunicar num tom mais ou menos solene, é que já não falarei mais de semântica neste blog.
Assim seja.
 
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sexta-feira, dezembro 10, 2004,10:22 da manhã
A loucura, o pagode...
Pois bem.
Acho que dentro de momentos irei inaugurar um novo estilo literário onde os títulos nada têm que ver com o que está escrito.
Sim, bem sei que me vão apontar que isso já foi criado, e como é possível eu nunca ter lido o Outono em Pequim do Boris Vian e isso tudo. Bem sei que têm razão.
Se calhar não vou inaugurar um novo estilo.
Pessoalmente gostava de ter inaugurado o desvairismo, mas o Mário de Andrade já o fez.
Agora só uma nota: O facto de ter referido o Mário de Andrade em dois posts seguidos não quer dizer que já tenha acabado o Alexandria Quartet. Na verdade ainda só vou a meio, pois só ontem é que inaugurei a leitura de Mountolive, que já me enche de prazer.
Um grande bem haja e até logo ou isso.
Talvez agora vá fazer uma pesquisa no google para ver se descubro o Relógio ou o Irnerio e o volto a fazer escrever aqui.
 
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quinta-feira, dezembro 09, 2004,1:44 da tarde
Que nem um besouro!
Pois assim é.
Neste momento, a incerteza tomou conta de mim.
Já fiz o famigerado exame de semântica e até à saída do seu resultado, irei conduzir o que de mim resta por essas sinuosas estradas da escrita bloguistica nacional.
11 horas. Dia 7 de Dezembro. Departamento de Linguística, depois de na noite anterior ter redescoberto a minha paixão pelo modernismo e mais concretamente pelas suas formas poéticas, através da escrita de Mário de Andrade.
Esta, era a altura em que devia colocar um link para um site onde toda a sua vida e teoria estaria exposta, mas não o farei. Dar-vos-ei esse prazer. Mas não consigo deixar de vos aconselhar o da Universidade de São Paulo. Mas não vos dou o link. Isso não.
Sou tramado que nem um besouro.
Outras coisas...
O Mário Soares fez anos. "Parabéns, já agora diz aí que horas são..."
Acabei agora mesmo de fazer uma referência a uma música do cantautor português, autor do álbum Asas e Penas.
Por acaso é um dos meus preferidos. Muito bom mesmo.
E assim me despeço. Sem referências claras, com questões levantadas, e sugestões.
Será que esta incerteza de já ter acabado o curso me dá autoridade moral para fazer sugestões?
Estarei a envelhecer?
Finalmente?
 
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segunda-feira, dezembro 06, 2004,8:09 da tarde
Parabéns!
Não consigo esconder o considerável agrado que sinto em saber que este blog já foi visitado por 100 vezes, desde que foi colocado o counter, alcançando a bonita média de doze pessoas e meia por dia, sendo que eu devo representar sensivelmente metade, tendo em conta as vezes que aqui venho ver se o Relógio/Irnerio/Pedro Fernandes já pôs mais algum post.
Fica aqui a minha felicitação pública ao Irnerio por esta tão brilhante iniciativa que teve e afins.
Um grande bem haja semiótico para ele e um "obrigado pela preferência que todos vós têm"
Sorte e Neno
 
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domingo, dezembro 05, 2004,4:02 da tarde
experiência
 
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sábado, dezembro 04, 2004,10:10 da tarde
Sim, é possível
Hoje, quatro de Dezembro do ano da Graça de 2004, o mundo continua a apresentar novas surpresas contra a minha expressa vontade.
Depois de ter definitivamente deixado de acreditar na política, no futebol e nas corridas de cães, a minha vida sofreu um novo abalo.
Quem, pergunto eu humildemente, suberguendo as mãos ao céu cinzento de inverno, é que: No dia em que celebra os 22 anos, decide celebrá-lo com uma digna almoçarada na Telepizza (!!!), acompanhado por loucas coca-colas que dão cabo dos ossos e do estômago e da cabeça, seguido de uma louca ida ao shopping local, onde se dirigirá à zona de diversões e passará o resto do dia a jogar máquinas e snooker. Quem, pergunto?
Eu conheço e sei, e não me privei de compartilhar essa situação durante longos cinco minutos.
Não estou particularmente orgulhoso. Não estou mesmo nada orgulhoso.
E como tudo na vida tem um aspecto positivo, aqui vai a conclusão de hoje:
Há coisas bem piores do que ficar em casa a estudar semântica ou ler este blog duas vezes por dia.
 
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sexta-feira, dezembro 03, 2004,8:53 da tarde
Será?
Liguei a televisão mesmo a tempo de ouvir que se estava a preparar uma revolução deomcrática neste país que é o nosso. Pouco depois, descubro que Pinto da Costa se encontra no tribunal de Gondomar para ser submetido a um interrogatório sobre supostas fraudes.
Duas questões que considero pertinentes:
1- Vivemos nós numa ditadura?
2 - O nosso líder era Pinto da Costa?
Pelo bem e pelo mal, regresso ao apurado estudo da semântica e sua consequente estupidificação. Serei mais feliz? Provavelmente.
 
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quinta-feira, dezembro 02, 2004,1:56 da manhã
Não é possível, ou sim...
Fogo pá!
Isto de andar para aqui a fingir que estudo semântica, de descobrir referências e relações anafóricas em tudo o que me rodeia, não dá mesmo com nada.
Mas o problema principal é mesmo, como já devem suspeitar, não ter ao meu lado um conjunto de cromos do IST com quem possa gozar e aliviar as tensões que tamanho estudo provoca.
Mas já estou quase satisfeito. Agora gozo com os comunistas.
Os autores do blog do Anacleto (http://oanacleto.blogspot.com) chocam-se ou picam-se muito facilmente. Depois de quatro anos na Nova a analisar descontraidamente os militantes bloquistas, não foi difícil arranjar motivos de gozo. O resultado é o que se segue:



Não sou nenhum camarada e apenas gostaria de perguntar porque apelidam de fascismo ou fássismo (de acordo com as vossas próprias referências) ao que existia em Portugal? Por acaso já alguma vez vos foi negado o direito de voto?Por favor, sejam de esquerda mas não sejam idiotas. É o mínimo que o país precisa.Pedro Email 12.01.04 - 5:35 pm #

Ó Pedro!!! Será que "faxismo" ( de faxineiro) fica melhor assim, ou prefere "fachismo" (este de facho)? Quando é que a verdadeira esquerda, a libertária e revolucionária, se preocupou com problemas de semântica ou lá o que é? Venha é juntar-se à malta, "é o minimo que o Pais precisa" que agora é que vamos levar ao poder o verdadeiro, o grande Anacleto, o que parte a Louça toda, o nosso querido lider!!!!Anacleto o verdadeiro Zé.Camarada Ze 12.01.04 - 9:42 pm #

O Pedro não te chates com esta malta.Eles estão só a brincar.São uns brincalhões.Hoje devem estar um bocado deprimidos. Mas fassistas ou não, são Portugas como nós.saravá camaradasjorge vieira Email 12.02.04 - 10:40 am #

Oh Pedro demonstras tanta argucia e cultura que te pedimos que nos confirmes que és o verdadeiro, o camarada Anacleto Santana Lopes.Se assim for és bem vindo !mike Email 12.02.04 - 11:30 am #

Os Anacletos voltaram! Os defensores da classe operária, dos camponeses, dos pequenos empresários e comerciantes, dos marinheiros, dos estudantes, das mulheres, dos jovens, dos reformados, dos professores (peço desculpa se me esqueci de alguém) estão de volta!Depois da eleição, para grande timoneiro, do camarada Jerónimo (vénia), depois da queda do governo neo-fassista-santanista, surge agora este novo raio de gloriosa esperança (não sei se o coração deste pobre revolucionário vai aguentar tanta emoção...).Afinal... Talvez os amanhãs que cantam estejam mesmo à nossa espera ao virar da esquina (do capitalismo). Talvez a sociedade socialista marxista-leninista seja mesmo exequível. Talvez o camarada Cunhal (dupla vénia), e os seus discipulos Rosas, Louçã, Bernardino e Oliveira (quatro vénias), tenha tido sempre razão, e, faço aqui a minha publica autocrítica, nós nos tenhamos deixado levar por visões pouco científicas e sem subestrato dialético da realidade.Arsénio Email 12.02.04 - 11:32 am #

Eu não me lembro de ter votado no fassista Santana. Tu votaste, Pedro?Kaiser Email Homepage 12.02.04 - 11:52 am #

Pela regra geral da nossa democracia, nas legislativas vota-se num partido e não numa pessoa, como acontece nas autárquicas. O votar no PC não implica que o seu líder venha a ser o futuro primeiro ministro. Há 3 anos os portugueses votaram, para o bem e para o mal, no PSD que se decidiu coligar com o PP para assim formar maioria. Quanto à questão da semântica, lamento informá-lo (Camarada Zé) que o estudo da mesma se prende com a construção de referências. Creio, pois, que as suas não sejam as melhores ou não estejam nos melhores dias.Já agora, aproveito para celebrar a libertação de Raúl Rivero, jornalista e poeta cubano que tinha sido preso por causa da "liberdade de imprensa" do senhor que está no canto desta página.Apreciei o bom senso do Vieira
Pedro Email 12.02.04 - 2:21 pm


A jeito de despedida, confesso que espero futuros desenrolares de modo a que me possa ir descontraindo de tempos a tempos.
 
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,1:56 da manhã
Questão do Natal
Bem sei que a minha produção tem sido abusiva, mas não me sinto pressionado para não produzir. Até pelo contrário. E por isso aqui estou novamente.
Hoje, enquanto estava a celebrar mais um glorioso cerro de loja da Bertrand do W Shopping em Str (leia-se Santarém, capital do Gótico, das touradas e afins), fui acometido pela questão do natal que aqui partilho convosco:
Tenho um filho. Preciso de lhe dar uma prenda de natal que contribua, de qualquer maneira, para que tenha um bom futuro. Penso em oferecer-lhe o História da Beleza do Eco. Assim o míudo toma logo conhecimento de um dos grandes pensadores do século XX, ganhará curiosidade por futuros livros dele, talvez leia o Nome da Rosa e O Baudolino em três tardes, aprofunde os seus conhecimentos no ramo da semiótica, se torne um teórico, quiçá professor universitário, publicará livros desinteressantes para o grande público, irá ao estrangeiro quando tiver as despesas de representação pagas, e fará adormecer toda uma comunidade científica que já saberá de antemão o que ele vai dizer. O livro custa precisamente 36€ de acordo com a FNAC (www.fnac.pt).
36€.
36€.
36€.
Por esse dinheiro compro-lhe uma bola de futebol. Ponho-o a jogar no Estrela da Amadora para aprender a jogar sujo e a correr da polícia, ficará famoso, assinará um contracto semi-milionário com um dos três grandes ainda antes dos 17 anos, fará a estreia na Superliga e despertará cobiças. Afirmará humildemente que sonha com a selecção e referir-se-à a ele próprio na terceira pessoa ao assinar com o Real Madrid ou Manchester Utd (leia-se United) e ganhaá milhões. Eventualmente alguém o convidará para escrever um livro, e sem se aperceber muito bem, já alguém o escreveu por ele e será um best-seller.
Questão:
Que prenda escolher?
 
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quarta-feira, dezembro 01, 2004,4:04 da tarde
Raul Rivero
Se no Avant-Scene pus apenas um pequeno excerto, aqui não coíbo de pôr o poema completo, assim como a imagem desse grande senhor, que na entrada do século XXI continua a lutar por algo que todos nós consideramos como sendo um dado adquirido.
Por esta causa, vale a pena darem uma espreitada a www.raulrivero.com

Suite de la muerte
I
Acaban de avisarme que he muerto.
Lo anunció entre líneas la prensa oficial.
Yo no esperaba morir este verano hermoso
de fin de siglo
pero los periódicos de mi país no mienten nunca
y por lo tanto es falso este latido del corazón
las pulsaciones, el aire que respiro.
Los recuerdos que tengo son,
deben ser
el delirio final porque el Estado
no puede equivocarse en forma tan flagrante.
He muerto.
Yo mismo, que tengo sed y estoy triste
lo empiezo a comprender.
Y, que amo todavía y que me asombro y tengo miedo
estoy aprendiendo a morir por decreto.
Lento, obediente, con discreción, sin un solo gesto de rabia
comienzo a parecerme a mi cadáver.
Para cumplir la orden con rigor
y no turbar el regocijo de mis verdugos
apago con espíritu de contingente
los signos vitales que persisten
porque quien ha seguido como un carnero
el monoritmo de la campana
y la voz del pastor
tiene que disponerse a morir
con sólo el relumbre del cuchillo.

II
Mamá ya lo sabe
y viene enseguida a cortarme las uñas
a ponerme un pañuelo con colonia
a convencer a Humberto para que me recorte el pelo
demasiado largo, demasiado blanco
demasiado tranquilo.

III
Es tan ciega la fe
y tan sorda
es tan absoluta la credibillidad
que las personas que me ven no me saludan
los que me escuchan no vuelven la cabeza
porque ya saben la noticia
y a los que visitan mi familia
yo les brindo café
y no lo agradecen
ni una frase cortés,
ni un elogio para el amargor
porque esta clase de fe
es, además, muy desabrida.
Como se hizo público mi funeral
y mis pecados, mis aberraciones,
mis torvas alianzas con el enemigo
mucha gente ha venido a mi casa para ver mis despojos
y llevarse, si hubiere, la virtud o el amor.
Los he visto llegar a dar el pésame
mirando de reojo los muebles y el teléfono
añorando el abrigo,
el calor de mi cama
de mendigos sentimentales
ayudando al Estado a clavar la tapa de mi ataúd.
He visto llorar a Cristina
estremecer el amor
y a Mariakarla feliz
segura de que era otra trampa mía.
Soy testigo del entierro que me están haciendo.
Estuve alerta en el velorio
y anoté cada gesto y cada comentario
Lo he visto todo claro desde mi muerte.
Los estoy esperando.
(Del poemario Firmado en La Habana, Miami, 1996)
 
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,1:25 da tarde
'Tou no mínimo, assustado
Confesso que ainda não deixei de tremer. Se bem que o frio descomunal que invadiu a minha cidade natal ajude, não é por isso que tanto tremo.
Tremo sim pela situação nacional e pelo poder divinatório que este blog demonstrou.
Desculpem, não consigo continuar.
No telejornal acabam de mostrar uma imagem do Pinto da Costa a recitar a parte final do Cântico Negro. (Asco) (Muito)
Logo agora que fazia tenções de falar sobre o Raul Rivero, o novo governo que aí virá, os sinais divinos expressos no comentário político do Relógio e aparece o Pinto da Costa a recitar o Cântico Negro. Não dá.
Declaro luto. A poesia nacional está de luto.
Por estas e por outras é que em dias como o de hoje, grito no auge dos meus pulmões: Viva España! - ou antes Iberia, ou qualquer outra coisa que não Portugal.
 
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