«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
sexta-feira, janeiro 28, 2005,1:11 da tarde
Uma entrevista de emprego
Depois de ter passado num daqueles testes de aparência (não, não tive bexigas quando era míudo nem sou um alcoólico inverterado de modo a já ter marcas na cara), fui convocado para um dia de observação numa empresa que recentemente abriu os seus escritórios em Santarém.
Seja lá isso o que for, fui. No jornal anunciavam rendimentos mensais na casa do 750€ e até mais por mês, dependendo da função.
Logo pensei que até poderia ser um administrativo à semelhança do Kafka e imaginar estórias claustrofóbicas enquanto redigia verdadeiros romances burocráticos.
Mas pois. Não.
Afinal o que queriam e não me tinham dito era um comercial. Sim, um daqueles chagas que ninguém consegue suportar, sempre a tentarem impingir produtos às pessoas.
Mas este brilhante processo foi por mim interrompido em pleno centro comercial, quando me virei para o senhor (responsável, supervisor ou o que fosse) e lhe disse simpaticamente com o maior sorriso de desprezo que consigo: Não estou interessado, obrigado.
Esta frase tê-lo-à marcado de tal forma que, durante os cinco minutos que se seguiram esteve interruptamente a referir que tinha gostado da minha postura e que a honestidade é muito bonita e que se eu não era a pessoa indicada não o era, e tive um bom gesto e assim é que é e honestidade outra vez e...
Traumas psicossomáticos, diria eu.
No final ainda me desejou sorte para o futuro, sem conseguir disfarçar um certo ar de desânimo.
Impávido e sereno, o meu sorriso manteve-se sempre constante e acutilante.
Sinto ter cumprido o meu dever de antigo escuteiro ao alegrar o dia de uma pessoa que não conheço.
O Baden Powell deve estar orgulhoso.
 
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quinta-feira, janeiro 27, 2005,4:06 da tarde
O que a Comissão diz, é verdade
Ah pois é, e livre-se de quem disser o contrário.
Segundo um dos imensos relatórios da Comissão, presidida brilhantemente pelo nosso antigo Primeiro, a ilha da Madeira foi considerada como parte integrante do território de Espanha.
Será isto devido ao superior rendimento per capita, ou pelo facto de terem um governador que em tudo se assemelha ao Fraga?
Seja como for, se a comissão assim o disse, é porque é verdade. E eu acredito. Ah pois acredito.
 
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,11:32 da manhã
De pé memória do futuro
José Mário Branco.
Os mais argutos já terão identificado de que música é a referência do título. Sabem eles pois eu não.
A verdade é que a tirei do concerto de 97 que por sua vez saquei do estranho emule francês, que tem uma dinâmica francesa de funcionar, seja lá o que isso for.
Mas o que queria mesmo fazer referência é à espectacular intervenção do Carlos Bica numa música que suspeito que se chame Lisboa.
Muito bom. Um pouco à semelhança do que acontece com a versão dos Verdes Anos do Charlie Haden, onde o baixo domina entrando quase num mundo autista.
Pois, Charlie Haden, polémica do Festival de Jazz do Estoril, na altura em que tocava com o Miles. O Kind of Blue é absolutamente fantástico, cujas linhas melódicas do pianista Bill Evans me encantaram desde o primeiro momento em que as ouvi.
Ainda hoje as canto quando vou nas ruas. Tudo fica melhor e me parece mais bonito. Há sempre aquela outra referência do Bill Evans que é o concerto de Paris, que me tem acompanhado na leitura do Coetzee.
Ambiente não me falta, decerto, mas a verdade é que continuo sem saber o nome da música donde tirei a citação do título, mas também não estou muito preocupado em saber. Ou se calhar até estou. Se quiserem. Ou souberem, podem deixar o título sob a forma de comentário.
Bem Haja
 
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quarta-feira, janeiro 26, 2005,6:42 da tarde
É hoje!
Que dia é hoje, perguntarão os humildes transeuntes da internet ao lerem o títutlo deste post.
Pois faz hoje alguns anos que Neno, o famoso guarda redes que durante tórridas tardes no Estádio da Luz, defendeu (?!@#) as balizas do Benfica.
Para comemorar o facto, o Benfica joga hoje com o Sporting, para grande nervosismo de toda uma nação benfiquista, à espera que o Luís Filipe Vieira os guie e diga oficialmente em quem votar nas legislativas que aí se aproximam.
Se pensavam que as redes benfiquistas se encontravam em constante aflição com Neno na baliza, era porque ninguém teve o poder visionário de imaginar o actual momento político português.
Agora só para nós, e em jeito de confissão, creio que nem o Bandarra nem aquel'outro do Nostradamus conseguiriam tamanha proeza.
Como somos uma pátria de feitos surpreendentes!
Há 500 anos ninguém diria que fôssemos capazes das descobertas. E fomos!
Posteriormente, ninguém acreditaria que conseguissemos ir à falência tão facilmente. E fomos!
Já no início do século XX, ninguém parecia acreditar na estabilidade governativa. E tivemos um sistema que vingou durante quase 50 anos.
Ninguém acreditaria que o que se seguisse à queda do regime fosse pior do que o próprio regime. Mas foi!
Ninguém acreditaria que uma vez entrados na UE, voltássemos a incorrer numa crise político-financeira tão grave como a que agora se vive. Mas fomos capazes!
Como somos grandes!
E de quem é a culpa? (Também temos este brando costume de querer sempre encontrar um culpado)
Neno.
Feliz aniversário, guarda redes, cantor e administrativo do Vitória de Guimarães.
São os meus votos. Sinceros.
 
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terça-feira, janeiro 25, 2005,7:37 da tarde
Mais Munch para todos vós
Continuando na onda do Munch, cá estou eu , desejoso de dar novamente cor ao blog. Não, ainda não vos vou encher com dados biográficos e afins. Não tenho paciência para isso. Pelo menos agora. Espero que gostem do quadro.

 
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,6:54 da tarde
Porquê??????
Ao contrário da maioria dos outros posts, começo a escrever este sem ter nenhuma ideia definida. Não me estou a lembrar de nenhuma estória engraçada que se tenha atravessado, nem li jornais nem vi televisão. Portanto hoje não vou comentar política nem desporto nem nada.
Não sei mesmo que pôr.
A verdade é que mesmo sem querer, já aqui vai um post com algumas palavras e já haverá alguém que o vai ler e já haverá alguém que pensará: "que inutilidade de post" ou "este Lopes" e coisas afins sobre as quais não irei dissertar.
Se calhar até deveria dissertar.
Mas não.
Olho para o todo do texto e penso que se calhar deveria ter feito mais uns parágrafos ao texto para parecer maior, ao mesmo tempo que facilitava a sua leitura.
Mas não.
Eu sou assim. Assim mesmo. Eu.
 
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segunda-feira, janeiro 24, 2005,7:08 da tarde
No bar do comboio...
Estou sentado no bar do comboio. É de manhã. Os meus olhos estão naturalmente enublados e junto do bar vejo um pequeno aglomerado de latas de cerveja.
Só a ideia de beber cerveja antes das 11 horas da manhã me dá vómitos, quanto mais num comboio.
O abanar constante das carruagens parece rimar incrivelmente com a decoração em tempos branca dos anos 80.
Da minha épica mala tiro a Rosa Montero com o fim de a acabar, juntamente com um punhado de folhas onde costumo tirar notas, dando-me um ar de promissor escritor em início de carreira.
Esta terá, porventura, sido a opinião de um grupo de pseudo-dreads, intelectuais de esquerda (à semelhança do pilhão, toda a gente sabe que não existem, não é?) que me olharam com aquele ar de moca, comum a toda essa geração. Também comuns são os emblemas sobejamente conhecidos do Che que parecem ficar tão bem junto aos ténis de marca. Como eu gosto destes comunistas.
Também eles se juntaram à prática da cerveja, embora tivessem feito apenas uma estação. Viva a juventude!
No bar dos intercidades consegue-se sempre um contacto muito mais próximo com a rotina dos seus funcionários que sempre olham para nós com um ar de benevolência e de companheiros do destino.
Enquanto acabava a Rosa Montero e com a entrada em Lisboa depois do percurso fantástico pela autêntica savana alentejana, senti-me de facto um jovem escritor promissor.
Mas cedo acordei para a realidade e comecei a ler o Coetzee mesmo antes de apanhar a ligação com o regional com destino a Santarém, donde escrevo mais este post.
 
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sábado, janeiro 22, 2005,1:25 da tarde
Passeio higiénico
Hoje levantei-me anormalmente cedo, tomei um banho fantástico e fui passear pelo centro histórico da cidade com a melhor companhia possível.
Que bem que me soube!
Durante quase duas horas revivi as estórias que alimentaram grande parte da minha infância como a conquista da cidade aos mouros, a casa assombrada (agora habitada por uns holandeses) e os inevitáveis pampilhos na Bijou.
Sinto-me revigorado.
Será que este país também precisa de um passeio higiénico?
 
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sexta-feira, janeiro 21, 2005,1:35 da tarde
Reincarnação?
O Bukowsky já se foi. Já o acabei.
Depois da saga do Durrell, sinto que não há livro que me resista muito pelas mãos. A senhora que se segue é a Rosa Montero a quem eu já me referi há uns posts atrás.
A jeito de homenagem, deixo aqui uma outra citação do Bukowsky, que só me fez lembrar o Relógio, ou Irnerio ou todos aqueles nomes a que já estão habituados. A situação passa-se num hospital:
- Como se sente?
- Bestial.
- A agulha não lhe faz doer?
- Vá-se foder.
- O quê?
- Eu disse para se ir foder.
- Só estava a gabar a tua coragem, coragem com que aguentas a agulha. Tu és duro.
- Vá-se foder.
- Não podes falar-me assim.
- Vá-se foder. Vá-se foder. Vá-se foder.
- Tens de te portar melhor. Imagina se ficavas cego?
- Se ficasse, já não tinha que ver a merda das vossas trombas.

Isto é um elogio, Relógio...
 
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,1:50 da manhã
Abordagem do Sapo
Ao caminhar inocentemente pela rua juntamente com um amigo meu, fomos abordados por um indivíduo que nos apresentou uma caixa verde e que por breves instantes nos lançou um sorriso.
"Já começam as campanhas políticas" - pensei, como reflexo natural da paranóia política que me acompanha desde o início da faculdade.
Mas enganei-me. Daquele sorriso saiu um: "Já têm a nova ligação Sapo" qualquer-coisa-que-não-percebi-bem-o-quê?
Ao sim convicto do meu amigo, nova pergunta nos surge, quase fazendo lembrar os debates da Fátima Campos Ferreira na RTP1: E que velocidade tem?
3 respostas possíveis surgiram na mira:
1 - uma velocidade do caralho (seja ela boa ou má)
2 - 2 km/h
3- 70 contos
Ciente destas três possibilidades, o meu amigo respondeu um simpático "Não sei", como quem vota no PNR.
Em vésperas de início de campanha, novas respostas são precisas aos desafios de um novo Portugal.
Que épico!
Que bonito!
Comoção (ligeira, mas comoção)
 
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quinta-feira, janeiro 20, 2005,2:24 da tarde
Já estou em casa
E como estou, passo a citar:
"Eu não sabia muito bem qual era a diferença entre o Hitler e o Hércules - mas também pouca diferença fazia. (...) Decidi tornar-me oposição. Nem sequer me dera ao trabalho de ler com atenção o que o Adolfo escrevera, mas gostava de bolsar pela boca fora tudo o que me parecia mau ou perverso."
Assim anda a nossa política.
Obrigado Bukowsky
 
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quarta-feira, janeiro 19, 2005,8:34 da tarde
Levantai hoje de novo...
o esplendor de Portugal...
Patriótico. Muito.
Dentro de um mês teremos um novo governo e a depressão irá ser o sentimento predominante, por razões bem claras a todos.
Dentro de breves instantes, tomarei a liberdade de vos aconselhar em quem votar.
Este processo, aparentemente complicado e moroso, não o é.
Aos meus leitores tendencialmente de esquerda, só lhes resta votar no PCTP - MRPP e no seu eterno líder Garcia Pereira, pois é o único que quando pronuncia a palavra "fascista", realmente acredita que ela existe e que irá celebrar cada voto que conseguir obter, dando uma importância fraternal a cada um dos seus votantes. Um gajo vota e sente-se próximo de quem votou devido à escassez de votos que ele obteve.
Pela mesma razão, insto os meus colegas de direita a votarem no PNR ou qualquer outra coisa assim. Também se congratulam por cada voto obtido e realmente acreditam no sentido da palavra "fascista".
Com isto tudo facilmente se chega à conclusão que "Um gajo ou é, ou não é."
Esta minha conclusão já revela uma clara influência da minha leitura mais ou menos cuidada dos contos do Bukowsky.
Quem sabe se num presente futuro não vos presentarei com uma citação?
Por acaso até o queria fazer agora, mas como não estou em casa, nem tenho o livro perto de mim, não o posso fazer.
Fica levantada a proposta.
 
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terça-feira, janeiro 18, 2005,8:58 da tarde
Questão
Anuncio aqui oficialmente que já acabei de ler o Alexandria Quartet do Durrell ao fim de cerca de três meses onde fui invadido por muita preguiça, momentos de grande tensão e verdadeiro vício. Um belo livro, digo.
"And I felt as if the whole universe had given me a nudge!"
Mas mais do que olhar para trás, surge agora uma outra questão:
O que é que vou ler agora?
Não que me faltem propostas, mas o problema é mesmo esse.
Há dois candidatos que se desunham por essa posição:
De um lado, A Louca da Casa da yupie espanhola Rosa Montero, que trabalha no El País e por outro o laureado Coetzee com Desgraça, que bem pode remeter para o estado do nosso país...
Enquanto não me consigo decidir, vou devorando as estórias que o Bukowsky me vai propondo em A Sul de Nenhum Norte que me foi impingido violentamente por um amigo meu que já orgulha de ter uma prateleira só com Bukowsky.
Lerei.
Logo pensarei no que se seguirá.
 
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,11:46 da manhã
Piratices
Como sou um filho do 25 de Abril e das novas tecnologias e das explorações capitalistas que desde aí se praticam na nosssa indústria discográfica (já estou a imaginar os mais inflamados comunistas a encherem-se de orgulho e apregoarem aos sete ventos que eu me converti), estive a dedicar-me à gravação de cds.
Em seguida, apresentarei um breve relatório de contas capaz de fazer inveja ao mais duradouro ministro das finanças dos últimos 30 anos, para apurar se a pirataria vale ou não a pena.
Trovante - Terra Virgem 10.95 €
Roy Harper - HQ 14€ (Este cd não se encontra disponível no site da fnac, mas encontra-se marcado pela Essential Music, Southampton , em 10£, pelo que livremente fiz a conversão. Crucifiquem-me s eestiver errado)
Beatles - Revolver 19.90 €
Toquinho, Maria Creuza e Vinicius de Moraes - Grande Encontro 11.20 €
The Strokes - Room on fire 19€
The Strokes - Is this it 19.90€
Van Morrison - The Philosopher's Stone 17.10 € (sendo este o preço anunciado pelo amazon francês, uma vez que também não se encontra disponível na FNAC)
Keane - Hopes and Fears 16.95€

Sendo que uma caixa de 10 cds no LIDL, da marca Maxell, originária do Reino Unido, custa 4,99€, façam as contas...
Sendo que não serei punido pela lei pois as cópias destinam-se para consumo pessoal, não para revenda nem para exposição pública, apenas acho que vale a pena.
Ah, pois vale...
 
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,11:42 da manhã
Está quase...
 
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segunda-feira, janeiro 17, 2005,10:40 da tarde
For God's sake!!!
Enquanto navego alegremente pela net a tentar esquecer-me da realidade que me rodeia, vou assistindo de maneira relativamente furtiva ao debate que passa na RTP sobre o estado da Nação com conhecidos nomes da nossa praça.
Como de costume ninguém consegue brilhar, todos falam das suas experiências de há vinte anos atrás e dos tempos do 25 de Abril e afins, até que...
O que foi aquilo?
Quem, pergunto eu, quem é capaz de ser assim tão mau?
Parece-me, é, pois...
Dr. Mário Soares, cale-se, por favor.
A sorte é que com este comentário não me será levantado qualquer processo pois ele próprio confirmou que não percebe de nada disso da internet. Mas que tem uma secretária (sorriso malandreco qual García Marquez) que lhe trata disso (novo sorriso malandro).
Bem, mas os disparates que diz apenas se assemelham ao Mantorras ao celebrar o tão desejado golo.
Depois ainda se admiram que as pessoas percam a confiança na política...
Com isto tudo, já ganhei uma nova máxima:
Só não emigrarei se não for possível...
 
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,5:21 da tarde
Desilusão...
Abro a minha caixa de correio e... nada.
Nem uma proposta de emprego. O meu telemóvel continua votado a um profundo silêncio qual membro da Cartuxa e não há ninguém que me interpele na rua a gritar a altos berros que sou EU a pessoa que eles pretendem.
Mas não.
Depois de um fim de semana espectacular, volto-me a cingir ao fatal destino do Tom Jobim: "Tristeza não tem fim, felicidade sim..."
 
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,5:07 da tarde
Tive um belo fim de semana!!!!!
Pois foi.
Há muito tempo que não tinha um fim de semana tão bom como o que passou.
Claro está que vos irei privar das aventuras e desventuras que o preencheram, mas queria apenas deixar como nota que foi um fim de semana cheio de reavivar de boas sensações que já julgava perdidas. Entre Évora e Álcacer do Sal, revivi memórias pessoais e nacionais com a melhor companhia que podia ter.
No entanto, não posso deixar aqui ficar uma nota de pesar pelo encerramento do mais épico café/restaurante de Álcacer: O Campino. Terá, porventura, sido o único senão.
Mas foi um belo fim de semana...
 
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quinta-feira, janeiro 13, 2005,11:14 da tarde
Será que irei ser alvo de análises psicanalíticas sobre o meu último post?
Será que tenho em mim uma indescrítivel vontade de gritar?
Skirk para todos vós.
Boa noite.
Esperemos.
 
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,11:11 da tarde
Estão a ver como já me estou a esquecer de tudo o que ainda anteriormente falei?
 
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,10:52 da tarde
De tudo e nada...
e também da enorme tristeza que tem vindo a assolar o nosso tão maltratado país.

Depois deste título verdadeiramente quixotesco, parto, se o engenho e a arte não me abandonarem, para o meu tímido retrato de mais uma sessão em frente ao televisor a ver as notícias.
Comecemos pois pelo choque imenso que sofri, pois já não será possível que vá votar no PPM, pois vão-se coligar com o PSD. O Movimento Partido da Terra também se auto-excluiu do meu panorama. Resta-me, porventura o Garcia Pereira ou o Partido Humanista ou um qualquer novo partido que ainda venha a surgir e que não tenha a mínima possibilidade de eleger seja quem for.
Mas estes são outros desígnios ou divagações que para aqui não são chamados.
Depois do pânico que me invadiu quando soube que um consórcio chinês comprou a MG e a Rover, o terror é agora mais do que nunca pois quando vi algumas centenas de chinocas a falarem um português quase perfeito na recepção ao nosso pouco estimado presidente, todo eu tremi.
Arrisco-me mesmo a dizer que alguns o falarão ainda melhor do que o nosso próprio presidente. Pelo menos não têm ideias, ou não as expressam, de fazer exercer o direito de serem constitucionalmente polémicos.
Acho que hoje irei ter pesadelos kafkianos a imaginar uma possível invasão silenciosa de chineses em Portugal num futuro mais ou menos próximo.
Pelo menos teríamos um presidente consciente. Que não dançaria em público, que não falaria em instabilidade, que seria neutro e sobretudo: que seria um presidente.
Desculpem.
Abusei.
Dentro de momentos acalmarei a minha raiva política e regressarei ao são convívio do meu reposo de um dia verdadeiramente inútil.
Não pensarei em política, não pensarei em Portugal nem em futebol, e serei feliz. Muito feliz.
 
posted by magnuspetrus
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,11:16 da manhã
De polemicatibus Relogi
O Relógio poderá, eventualmente comparar-se ao Cavaco Silva.
Raramente aparece, raramente escreve, mas quando o faz, é polémico, independentemente da da sua qualidade, é polémico.
Ando eu a produzir quase ao mesmo ritmo do Prado Coelho e quando o Relógio escreve é o que é.
Não que eu o inveje, pois assim não acontece. Foi uma pura e simples comparação, onde não há qualquer tipo de remorso ou o que for.
Se calhar este post apenas serve para acender um pouco mais a polémica como se faz com um lume quase extinto numa fria noite de Inverno ou perante o nosso Tsunami político actual.
No entanto, não consigo deixar de dar os parabéns ao Irnerio pela criação do blog e pelas quase 700 visitas que já nos foram brindadas.
Depois de quase uma semana sem cá vir, tivemos cerca de 120 visitas.
Um bom augúrio?
Esperemos que sim.
A todos o meu muito obrigado.
 
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quarta-feira, janeiro 12, 2005,9:10 da tarde
Maria da Fonte
Nestes últimos dias tenho acordado sempre com o épico hino na cabeça, enchendo as minhas veias do mais puro sangue monárquico. Será esta uma consequência mais do que directa de ter passado mais do que 12 horas com o mais monárquico dos meus amigos, ou resultado da minha total descrença nas nossas instituições republicanas ?
Seja como for, enquanto hoje ocupava o meu corpo a distribuir os costumeiros papéis amarelos da Dica da Semana, a receber simpáticos sorrisos das mais idosas das senhoras, não deixava de cantar com um olhar maroto (Lá vai a Maria da Fonte/ com as pistolas na mão...)
Dentro deste espírito revivalista, ouvi uma frase que mudou a minha vida e que caso a tivesse ouvido antes do curso, não hesitaria em a ter usado infinitas vezes a fim de granjear o meu currículo universitário de notas brilhantes, capazes de fazer inveja ao mais consagrado catedrático da Universidade de Jacarta. Venha de lá então a frase:
"Pedro, estamos na Azóia. Sabes quem viveu aqui?
O Alexandre Herculano, respondo com um certo tom de fastio na minha voz.
É verdade, respondem-me, esse grande anti-fascista dos tempos antigos."
Por estas e por outras é que acho que a cultura popular portuguesa devia ser promovida a património da humanidade.
Somos realmente únicos e ímpares no avanço do pensamento.
 
posted by magnuspetrus
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domingo, janeiro 09, 2005,4:48 da tarde
TOCA A COMENTAR
Agora que estamos quase nos 600 visitantes, surge uma pergunta que sou incapaz de conter em mim: PORQUE É QUE NÃO COMENTAM? Eu sei que o Magnuspetrus domina este blog com os seus posts desnecessariamente parvos e que eu, quando escrevo, também não digo nada que se aproveite. MAS COMENTEM!
 
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sexta-feira, janeiro 07, 2005,5:48 da tarde
Agora é que foi...
Andava eu nas minhas rotineiras missões de promover o turismo nacional, mostrando os deliciosos recantos da cidade de Santarém a um ilustre emigrado e à sua simpática e sorridente companheira de estripe belga, quando...
Eu nem queria acreditar no que estava a sentir!
Podemos não ter governo. Tudo bem.
O Benfica pode estar a jogar mal que se farta. Eh pá, tolera-se.
Mas os pampilhos da Bijou não serem bons??????
Isto é ainda mais grave do que ir à Portugália da Almirante Reis, pedir um bife a cavalo e não nos sentirmos intoxicados por aquele molho fantástico.
Não há respeito! Isto merece uma comissão de investigação, o Beckham a entrevistar o Totti ou um qualquer fenómeno paranormal.
É que já nem nos pampilhos se pode confiar?????
O fim da nossa nação está próximo.
Que venham os chinocas de mãos dadas com os espanhóis e comprem-nos, dominem-nos, façam o que quiserem pois eu já não quero saber.
Os pampilhos já não são os mesmos...



PS- Como sinal de protesto, iniciarei um luto pesaroso de 3 dias de alienação profunda a fim de apagar este triste episódio da minha memória.
 
posted by magnuspetrus
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quinta-feira, janeiro 06, 2005,7:06 da tarde
Duodécimos
A previsão do Banco de Portugal para o crescimento nacional é de 0,15%.
Muitos lançarão as mãos à cabeça e dirão que desgraça a nossa que desde os Descobrimentos que não temos sorte nenhuma.
Outros, dirão que a culpa é dos fascistas que teimam em não abandonar o país. Como reacção, outros dirão que isto é a principal consequência de já não haver fascismo em Portugal.
Haverá sempre quem defenda que o nosso grande erro histórico foi o 1 de Dezembro.
Eu penso que somos assim mesmo. Poderia ser pior. Poderíamos nem crecer. Podíamos diminuir. Ou pior ainda: podíamos ter bairros nos subúrbios ou nem sequer se fala português.
 
posted by magnuspetrus
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,2:27 da tarde
Não sei porquê...
Pois não.
Será que está toda a gente com a ressaca da época de Natal, ou será por causa das recentes campanhas de solidariedade com os povos asiáticos, que todos me enviam convites para me juntar a um qualquer grupo do que for?
Todos os dias abro o meu mail religiosamente à espera que me apareça um convite para trabalhar do género: Não pudemos deixar de reparar no seu fantástico currículo e queremos contratá-lo imediatamente. Em anexo, se não lhe der muito trabalho, indique o ordenado que desejar receber.
Mas não. Nem um convite destes! Mas sim convites para o Hi5, para o grupo do MSN dos campeões regionais de petanca dos domingos à tarde ou para ir a um novo site repleto de fotos de pessoas sorridentes, das quais não conehço nem metade.
Mas assim seja.
Nos entretantos, vou continuando a sagrar-me campeão nacional pelo FCP numa versão desactualizada do CM e aler desaforidamente a Clea para acabar de vez com o Durrell.

 
posted by magnuspetrus
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,2:20 da tarde
Oficial
Conseguem vocês imaginar maior perversão do que a de repetir o título em dois posts consecutivos?
Pois eu não.
Sou um perverso. Ah, pois sou. Muito.
E isto é oficial.
 
posted by magnuspetrus
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quarta-feira, janeiro 05, 2005,2:10 da tarde
Oficial
Já está!
Já sou oficialmente um desempregado.
Mas como isto não é assim tão linear e simples, apresso-me a esclarecer os mais sórdidos pormenores desta demanda. Peço apenas aos leitores mais sensíveis ou susceptíveis que fixem o olhar no quadro do Modigliani, que é bem mais agradável do que se segue.
Como tinha prometido ontem, hoje não me afeitei.
Depois do costumeiro banho matinal, vesti-me com alguma reluctância e dirigi-me ensonado para o Centro de Emprego de Santarém.
Ao tirar a senha, quase suspirei de alegria ao reparar que só havia 14 pessoas à minha frente para serem atendidas. "Se calhar nem valeu a pena vir munido de leitura", pensei.
E pensei mal. Ao fim do primeiro quarto de hora, o contador permanecia inalterado, com a mesma emoção com que se espera o final de uma partida de críquete.
Ao fim do segundo quarto de hora já três pessoas tinham sido atendidas.
A esperança num futuro risonho começou a surgir como que por entre a neblina de um sábado de manhã.
Ao fim de 1h43 lá fui atendido com a simpatia de um funcionário público, capaz de despertar o pior de nós.
Ao regressar ao convívio do ar fresco e dos passarinhos que alvejam os transeuntes com presentes desagradáveis, pude encarar a vida de uma outra maneira.
Agora já sou oficialmente desempregado a fim de engrossar as estatísticas nacionais e ser usado nas mais diversas campanhas políticas.


PS- Se alguém tiver um tacho para me oferecer, aceitá-lo-ei com grande prazer.
 
posted by magnuspetrus
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terça-feira, janeiro 04, 2005,7:35 da tarde
Só para dar um pouco de cor ao blog, aqui fica um quadro do italiano Modigliani...
 
posted by magnuspetrus
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,3:30 da tarde
Ahhhh, a razar a trave...
Da janela do escritório espreito para a rua e vejo um sol impressionantemente faustoso. Decido, por fim, levantar-me, dirigir-me à casa de banho, fazer a parca barba que me apoquenta a cara e dirigir-me ao Centro de Emprego que fica aqui a uns dois minutos da minha casa.
Ao chegar, uma hora e antes de fechar, fui interpleado por um simpático segurança que me comunicou friamente "Hoje já não dá!"
Mantendo o nível de resposta a que tenho habituado as pessoas que comigo convivem, sorri-lhe cordialmente. Um poderoso ar de estupefacção invadiu o segurança que hoje, ao chegar a casa, terá que espancar a mulher para tentar descobrir a razão da minha simpatia face à negação que me ofereceu.
No entanto, a minha missão foi marcada pelo insucesso.
Talvez amanhã não faça a barba antes de lá ir.
 
posted by magnuspetrus
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,2:36 da tarde
Mudança
Como reflexo das inúmeras e eficazes filosofias que constantemente nos invadem em irritantes pop-ups e anúncios na televisão e nas ruas em todo o lado, decidi-me a mudar de lema de vida, passando agora a ser:
Pegue no auscultador,
Ideia Casa, ao seu dispor...
 
posted by magnuspetrus
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,1:15 da tarde
Ano Novo! Feliz?
Numa altura em que todos expressam as suas opiniões sobre este novo ano que agora começou, eu opto pelo silêncio profundo numa atitude egoísta e autista.
Durante estes dias em que andei alheado destas lides bloguísticas, fui feliz.
Não que isso tenha directamente que ver com o processo mais ou menos complexo que envolve a produção de cada um dos posts, mas tem sim que ver com o facto de me ter alienado da nossa triste realidade durante quatro dias.
Como seria de esperar, estive envolvido no Encontro Internacional de Taizé em Lisboa, que durante estes quatro dias me fez esquecer que temos um governo (temos?), que temos um presidente da República (temos?) e, sobretudo, que somos alvo da chacota internacional.
Como diriam os geniais criadores da Contra-Informação: "A política nacional diverte, mas não alegra".
Este será o motto que adoptarei, não para este ano, mas pelo menos por agora e para o futuro imediato, enquanto me conseguir lembrar do que nos espera em termos eleitorais.
Perdida que está a fé nas instituições republicanas, começar-me-ei a debruçar sobre a política espanhola, ou os affaires amorosos da família real do Mónaco. Em desepero de causa, apenas prometo ver três vezes consecutivas o vídeo do campeonato de futebol 93/94, narrado gloriosamente pelo Gabriel Alves.
Um grande bem haja e até logo, ou isso.

 
posted by magnuspetrus
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,4:33 da manhã
Semântica
Agora que o magnuspetrus parece ter sossegado a sua aparentemente incontrolável verborreia, falo eu. Agora que, de súbito, compreendo a loucura daqueles que intensivamente estudam semântica (sim, também eu!).
Parece que a semântica faz isto às pessoas. Dá vontade de escrever, de preferência coisas sem sentido. É natural. Quando um gajo se depara com a necessidade de explicar relações de hipo/hiperonímia, antonímia complementar, conversa ou escalar, parte-todo ou ainda o porquê de utilizarmos a sequência «artigo indefinido - artigo definido - pronome» numa sequência anafórica. Ou pior: dividir enunciados ou frases em expressões referenciais e predicativas e ainda de informação gramatical só para explicar UMA COISA QUE QUALQUER PESSOA QUE POR ACASO APRENDEU A FALAR, LER E ESCREVER, SABE INTUITIVAMENTE. E muito mais (a que vos poupo por ser, também eu, boa pessoa). É natural. Ainda digo mais: dá vontade de dar um violento e espalhafatoso tiro nos cornos.
 
posted by Irnerio
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