«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
domingo, novembro 26, 2006,8:39 da tarde
Mário de Cesariny
Morreu Mário de Cesariny. O último dos surrealistas deixou hoje o nosso mundo e já pode começar a ganhar prémios e fama.
Embora só tenha gostado mais ou menos do seu Auto de Jerusalém, a sua poesia nunca deixou de ser poesia, com tudo o que isso acarreta.
A verdade é que também eu tenho um pouco de mim em luto, muito graças às diversas vezes que ouvi este jovem a dizer o Pastelaria que agora deixo:


PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita
gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostr

 
posted by magnuspetrus
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