«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
terça-feira, janeiro 16, 2007,9:42 da manhã
Notas para uma definição de matança II
O ambiente agita-se com os primeiros gritos da porca.
O grupo divide-se entre os que querem assistir à morte e os que não querem, que fogem para o interior da casa. Curioso mesmo, é ver as reacções das crianças, que vão da idolatria ao repúdio completo. Ao meu lado tenho um miúdo dos seus sete anos que olha embevecido para o pai que segura na porca.
Eu confirmo os meus atributos de menino da cidade e escondo-me atrás da objectiva.

Os segundos parecem demorar bastante mais a passar. A agonia do animal rasga por completo o silêncio pacífico da madrugada alentejana.

Nas caras dos participantes, há um gozo indescrítivel, verdadeiras provas de masculinidade, das quais as mulheres são completamente excluídas.

A primeira porca já está.

Enquanto se vão começando os preparativos de uma, avança-se já para a próxima.

O sangue é mexido para não coagular

E logo se começa a queimar a pele com vista à abertura do animal

A adrenalina faz com que a violência de toda esta vivência seja colocada num qualquer patamar estranho.

Acho que só agora, no momento em que revejo as fotos é que começo a conseguir sentir o que quer que seja e a tirar as minhas conclusões sobre cinco minutos de pura adrenalina.

 
posted by magnuspetrus
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